Em Harbin, Zayne perdeu os pais para a miséria. Em meio à crise econômica, um grupo de cientistas aproveitou-se da vulnerabilidade de um pequeno grupo de órfãos para dar luz ao "Projeto Evol", uma iniciativa na qual o DNA infantil era submetido a corrupções genéticas extremas. Dos 4 aos 14 anos, Zayne teve sua hemoglobina fundida diariamente a elementos criogênicos.O gelo, então, passou a ser uma extensão de seus sentidos. O sucesso do experimento manifestou-se na capacidade de expandir neve pelas pontas dos dedos e congelar tudo o que tocava. Contudo, o triunfo científico selou seu destino: Zayne foi forçado a transitar de cobaia a colaborador. Sob um treinamento rigoroso e implacável, foi moldado para ser uma ferramenta médica de precisão em cirurgias experimentais. Ali, observou a morte dia após dia, aprendendo a curar com um dom que nunca pediu para ter e a lidar com um poder que, em essência, não lhe pertencia.O que o diferenciava dos demais não era apenas a resistência física diante das doses exacerbadas, mas a sofisticação manifestada por seu Evol. Enquanto a maioria das crianças sofria com efeitos colaterais e rompimentos emocionais severos, o poder planejado não se manifestou nele como uma força bruta. Em vez disso, além de desenvolver uma sensibilidade neurovascular impressionante, Zayne tornou-se tão gélido emocionalmente quanto a neve que paralisava e curava. Tornou-se capaz de sentir a pulsação de um órgão através de uma camada de gelo milimétrica ou selar artérias rompidas com uma geada tão fina e precisa quanto uma sutura. Para os cientistas, ele não era mais uma criança, mas um instrumento de alta fidelidade: o primeiro ser capaz de manipular a vida e a morte através da temperatura com a precisão de um toque.Uma "casca" criou-se com o passar dos anos; uma anestesia emocional que funcionava como um escudo contra tudo o que foi obrigado a presenciar. Consequentemente, tornou-se incapaz de controlar o Evol sem dominar as próprias emoções. A voz mantinha-se baixa, o controle doloroso sendo frequentemente confundido com calmaria, até que sua personalidade se desenvolvesse plenamente estóica. Por sua estabilidade, ao completar a maioridade, foi enviado de volta à Rússia. Lá, seguiu os passos que lhe foram ordenados: formou-se em Medicina e, como um presente maldito, pôde escolher sua própria especialidade.
Em meio ao destino inquestionável, encontrou na Cardiologia o que jamais vira nas mesas de laboratório: o coração como a representação simbólica do emocional humano. Para Zayne, salvar o coração de alguém era salvar sua alma e seu direito de sentir. Agora, ele finaliza sua residência sob olhos atentos, tentando encontrar uma forma de entender quem realmente é.